Embrapa desenvolve tecnologias para acabar com o Bicudo-do-algodoeiro

Embrapa desenvolve tecnologias para acabar com o Bicudo-do-algodoeiro – Foto: Imagem da internet

Eliminar o Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é atualmente o maior desafio para os cotonicultores do Brasil. Segundo estimativas divulgadas durante o 10º Congresso Brasileiro do Algodão, a presença do bicudo do algodoeiro causa perdas de R$ 1,7 bilhão por ano aos produtores. O bicudo é considerado a pior praga do algodão desde 1983, quando a espécie foi introduzida no Brasil. Suas larvas ficam escondidas no interior dos botões florais, o que dificulta a identificação e combate.

Manejo Integrado de Pragas (MIP)

O manejo integrado de pragas é uma das soluções para o problema, de acordo com estudo dos pesquisadores Carmen Pires e Edison Sujji, do Laboratório de Ecologia e Biossegurança. A pesquisa mapeou áreas de ocorrência do bicudo em períodos de entressafra, com o objetivo de identificar o padrão de dispersão da praga na paisagem agrícola, tanto em áreas de plantio quanto em áreas de vegetação no entorno. “É preciso trabalhar com a população de bicudo na entressafra e concentrar o controle das áreas que estão favorecendo a permanência do inseto-praga”, alertou Pires.

Os resultados da pesquisa trouxeram dados como preferência por alimentos alternativos ao algodão, períodos de dormência e reprodução e rotas de entrada e saída da praga em campo. “Neste momento, precisamos ter acesso a dados de fazendas com populações maiores de bicudo, para saber se a infestação pela praga está ligada à vegetação ou ao manejo”, explicou o pesquisador Edison Sujji.

Ecologia química é alternativa para combate ao bicudo

A pesquisadora Maria Carolina Blassioli de Moraes faz parte do estudo com semioquímicos, substâncias produzidas por insetos e plantas que agem no comportamento dos insetos. A pesquisa da Embrapa concentrou-se no estudo dos chamados feromônios de agregação, que fazem os insetos serem atraídos uns pelos outros ao descobrirem uma nova fonte de alimento. No caso do bicudo-do-algodoreiro, descobriu-se que o feromônio perdia a eficiência quando o algodoeiro chegava ao estágio reprodutivo, mas que a mistura do feromônio de agregação com alguns voláteis do algodoeiro consegue aumentar a captura de insetos em armadilhas.

“A próxima etapa é sintetizar esses compostos em larga escala para oferecer esta alternativa aos produtores”, explicou Blassioli, ressaltando que a Embrapa já está em negociação com uma empresa interessada na produção dos compostos. Com os compostos sintetizados, será possível criar armadilhas mais eficientes para a captura do bicudo. Os pesquisadores da Embrapa também já conseguiram identificar os compostos químicos que repelem o bicudo, mas ainda estão sendo feitos testes de confirmação de eficácia.

Recentemente, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) concedeu à Embrapa duas patentes de tecnologias que vão ajudar os produtores brasileiros a se livrar de insetos-praga: uma contra o percevejo-do-colmo do arroz (em 2016) e outra contra os percevejos da soja (2013). Ambos os métodos utilizam semioquímicos para eliminar as pragas, dispensando o uso de defensivos químicos.

Pastilhas com fungos prometem eliminar o bicudo

A coleção da Embrapa conta hoje com aproximadamente 1.300 isolados de fungos, que são utilizados para estudos básicos e aplicados. Segundo Marcos Faria, pesquisador do Laboratório de Micologia de Invertebrados, existem hoje mais de 30 empresas no mundo produzindo fungos para controle de diversas pragas agrícolas. No caso específico do bicudo, o pesquisador explicou que o Metarhizium anisopliae tem se mostrado bastante eficaz, mas ressaltou que ainda é preciso desenvolver formas de produzi-lo em larga escala com baixos custos.

Uma das propostas apresentadas pelos pesquisadores para tornar o uso de fungos contra insetos-praga economicamente viável é a produção de pastilhas biodegradáveis, os chamados “pellets”, para o bicudo do algodoeiro. A pastilha seria uma mistura de feromônio para atrair o adulto do bicudo e fungos específicos que, em contato com o inseto, causariam a sua morte. “O inseto se contamina, volta para o campo e contamina outros indivíduos da mesma espécie”, explicou Rogério Lopes, pesquisador do mesmo laboratório.

O pesquisador afirmou que já foi feita a seleção de isolados de fungos virulentos ao bicudo. As próximas etapas da pesquisa são selecionar as doses de feromônios que devem ser inseridas nos pellets, o material para incorporação do fungo, realizar estudos com os pellets formulados e bicudos em casas de vegetação e os testes em campo. “Quando o produto estiver pronto, vamos definir qual será a melhor estratégia de utilização nas lavouras e incorporá-la aos programas de manejo já adotados pelos agricultores”, finalizou Rogério.

Projeto prevê resultados em até cinco anos

A Embrapa apresentará à Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA), a pedido da própria associação, proposta intitulada “Desenvolvimento e validação de estratégias inovadoras de controle do bicudo do algodoeiro”. Os produtores de algodão deverão investir cerca de R$ 3 milhões no projeto, e, como contrapartida, a Embrapa alocará o dobro do valor, ou seja, R$ 6 milhões. A proposta está estruturada em oito linhas de ação que serão desenvolvidas de forma paralela ao longo dos três primeiros anos e uma (drone + sensor de voláteis para detecção do bicudo no campo) cujo produto será gerado entre três e cinco anos. Os resultados esperados incluem novas tecnologias de controle do bicudo, que poderão ser aplicadas isoladamente ou de forma integrada.

Fonte: Successful Farming

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